LABYRATIONEN. Livro de poesia e arte editado na Erata que não
descura a literatura e a arte em complemento ou confronto. Aqui poeta e
pintor entendem-se quanto ao que desejam dizer: um desabafo severo
contra a imprensa que comparam à lama das ruas, à folhagem caduca,
entre outras coisas. Adivinha-se um exercício de fronteira entre o
perene, a obra de arte, a poesia, e o efémero, a vaidade de um círculo
poderoso, é certo, mas que não ficará na memória do tempo. Os autores
são Michael Goller e Mike Wassermann, ambos pertencentes à geração que
convive com os Media e por isso sente que pode relativizar o seu peso,
a sua dimensão. As imagens fortes de cada estrofe são lama, pó,
insecto, folhagem caduca; o pintor desenha um jornalista de microfone
na mão mas já percebemos que para ambos os criadores aquela voz, ainda
que ampliada, é uma voz pequena.Eis o poema:À IMPRENSAVós soisa lama
que salpicaas ruas. Vós sois o póchamuscadona luz.Vós soiso insectoque
pica e zumbe.Soiscomo a folhagemque cai no chãoe morre.
À IMPRENSA
Vós sois
a lama que salpica
as ruas.
Vós sois
o pó
chamuscado
na luz.
Vós sois
o insecto
que pica
e zumbe.
Sois
como a folhagem
que cai no chão
e morre.
(tradução: Yvette Centeno / publicado: Edição Erata, Leipzig,
2003)
Português: Yvette Centeno